domingo, 15 de maio de 2011

Amarelo

Foto: Calea longifolia Gardner - Parque Estadual de Vila Velha - Ricardo Letenski.

domingo, 8 de maio de 2011

Pinha


A tarde definha
o silencio se parte
contra o chão.
É o despencar das pinhas
esparramando pinhão.


Ricardo Letenski

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Manifesto da montanha

Gosto de ir as montanhas, porque elas estão lá. E olham, e olhando veem coisas que o nosso olho não vê, quando está na planície; mas da planície vejo as montanhas e é tão belo vê-las.
E por isso vou até elas e descanso em seus ombros antigos. Para ver o que elas veem.

E quando ando pelas montanhas, ando por andar. E quando olho, olho por olhar. Não vou as montanhas para fazer perguntas, para isso vamos à escola. Ando pelas montanhas e olho, mas não busco nada, por isso vejo as coisas que estão em meu caminho e não as que estão na minha cabeça.

Ando pelas montanhas como o vento que passa devagar e não deixa marcas. Ando pelas montanhas como se nunca tivesse andando e olho como se nunca tivesse visto. E é por isso que sempre volto.

Vou as montanhas, mas não quero ser chamado de montanhista. Porque ser montanhista é estar nas montanhas e se me chamam de montanhista é para dizer que não estou nas montanhas e se estou, então, para que dizer?

Quando estou nas montanhas, gosto de permanecer quieto, pois as montanhas estão sempre em silêncio; porque sabem o que precisam saber e por isso não falam. É como disse o poeta: “falar é não saber”, sendo, assim, não falo sobre as montanhas, pois elas estão lá...
Ricardo Letenski 06/01/20011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

domingo, 13 de março de 2011

sábado, 5 de março de 2011

Jantar nas Montanhas - um poema da serra do mar

Este poema é inspirando na excursão que realizamos (Tati e eu) ao Pico Paraná na Virada de ano 2009-2010.



A noite chegou mansa, como uma boa mãe diligente, que envolve a criança dormente, a bela criatura amada numa manta bem limpinha, tão formosa, tão perfumada. A lua brilhou como o rosto de um anjo prudente e atento. As estrelas fizeram asas, voaram, ganharam o firmamento.

A viagem que nos trouxe até aqui, agora repousa na mente, foram muitas horas a subir pelo desfiladeiro, antes do poente. A Terra Boa, a cachoeira Arco-Íris, as flores nas pedras, a pedra do grito: onde a vista avoa por vales bem mais bonitos que na tela dos pintores; onde o bigornear das arapongas rompe os ares com sons comovedores; donde rústicos dedos de pedras toscas tecem delicadas neblinas; donde as casinholas parecem casinhas de bonecas pequeninas; onde os sonhos escapam do peito e escarpam o próximo leito de rio.

Acendo o pavio da vela de cera com cheiro de mel, dentro da barraca coberta pelo céu no seio das montanhas que cerram o mar; aonde sempre veio a passeio, mas queria mesmo era ficar. Plantar um ranchinho com fogão de lenha, pomar e varanda. Tocar violão, para os gnomos cantarolarem e as fadas fazerem ciranda.
A ausência do peso das mochilas nos deixou leves, leves ficaram nossas almas que como a névoa da paisagem se mesclaram à serenidade que se encontra no cimo dos montes, longe da euforia das cidades. As noites calmas de acampamento são para os que peregrinam pelos montes um prazer e um contentamento sinceros. Como beber água que jorra da fonte depois de um dia severo de sol. É a hora em que as mãos suaves do arrebatamento desatam os pesos do pensamento e do corpo, deixando a magia se aconchegar. É o momento do jantar, simples, mas tão generoso como o mais refinado manjar. O fogareiro umedecido pelo orvalho que se assentou na relva fina em que jazia esquecido, logo, resplandeceu com suas labaredas azul-esverdeadas, vermelhas ritmadas. As mãos afobadas fizeram a água da garrafa soluçar na panela que a sombra ocultava, enquanto outras duas seguravam-lhe as asas e tão breve puderam foram colocadas sobre as hastes entortadas que gemeram com o peso do caldeirãozinho prateado.

O canivete com cabo amadeirado feriu o saquinho de sopa com legumes desidratados que chiaram antes de mergulhar no líquido que ansiava por querer borbulhar. A tampa um pouco amassada como um chapéu velho encontrou sustentação, enquanto a chama enfumaçada tostava o fundo da panela que ficou negro como tição. Os vapores que escaparam das fervuras pelo ar, enfeitiçando as narinas com seus odores, aqueceram nosso pequeno abrigo numa colina harmoniosa, pressagiando a sopa deliciosa.

Nossa luz embaçada se perdia no infinito, a rolha de cortiça escapava do vinho tinto. O licor rubro embebedou o canecão que ficou com as largas bordas manchadas cor de uva. Os olhos procuravam pelo pão, as mãos despiam-se das luvas que caiam pelo chão para agarrar os talheres e os pratos improvisados em dois potinhos que, em breves segundos, ficaram plenos de ensopado que a mulher amada compartilhava com muito carinho. Agradecemos calados aos seres do paraíso pelos ansiados alimentos que recebemos. Entre sopros e sorrisos; tragos e colheradas. Ficamos saciados, embriagados e adormecemos; com uma boa dose de exaustão, algumas tigelas de sopa embebida em retalhos de pão, meia garrafa de vinho, uma noite enevoada e um abraço justinho ouvindo o coração contente da namorada.

Ricardo Letenski

nosso pequeno abrigo numa colina harmoniosa


A lua brilhou como o rosto de um anjo prudente e atento.


a panela que a sombra ocultava

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Livro: "PATRIMÔNIO NATURAL DOS CAMPOS GERAIS" disponível para download

A obra é constituída por vinte e três capítulos com temas que integram uma visão holística da região: rochas, relevo, hidrografia, clima, solos, vegetação, fauna, arqueologia, uso da terra, história de ocupação, sistemas produtivos atuais, alternativas energéticas, unidades de conservação, empreendimentos sustentáveis e perspectivas regionais.

O livro foi organizado pelos professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Mário Sérgio de Mello, Rosemeri Segecin Moro e Gilson Burigo Guimarães e reuni cerca de 35 autores.

Segundo os editores, os Campos Gerais, ao mesmo tempo em que apresentam rico patrimônio natural a ser preservado e aproveitado em atividades como turismo e lazer ecológico, pesquisa cientifica e educação ambiental, são palco de intensa atividade econômica, o que coloca em risco a preservação desse patrimônio.

O livro é resultado de projetos de pesquisa desenvolvidos pela UEPG entre os anos 2000 e 2006 e complementados com os resultados dos estudos de pesquisadores de outras instituições do Paraná.

Os estudos foram realizados com o objetivo de aprofundar o conhecimento do patrimônio natural dos Campos Gerais, de forma a orientar para a sua conservação e uso sustentável, subsidiando um projeto mais abrangente de integrar a gestão do patrimônio natural e cultural da região.

Além do patrimônio cultural (tipos de unidades de rochas, jazigos, fossilíferos, relevos de exceção, hidrografia, flora e fauna), também foram levantados dados sobre os sítios arqueológicos, ainda pouco estudados na região, e freqüentemente associados a abrigos naturais.

O livro foi disponibilizado para download, oficialmente no seguinte link:

http://ri.uepg.br:8080/riuepg/handle/123456789/233/browse?type=dateissued

cada capitulo deve ser baixado separadamente.